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Glamour Gastronômico no ônibus

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Após mais um dia de trabalho vem mais uma viagem de ônibus, e geralmente uma viagem apertada.

Entro em um ônibus e fico perto da porta, o primeiro local mais espaçoso eu me encaixo e pronto.

Nessa noite o local mais agradável era ao lado de um rapaz utilizando um capuz que tampava a metade de seu rosto (o que me deixou com medo) e outro rapaz, esse bebendo uma lata de cerveja.

Na próxima parada entraram 3 amigos, dois homens e uma mulher, um rapaz e a mulher carregavam cada um, potinhos com catchup, sim, CATCHUP! Após a entrada deles um cheiro de comida alastrou o ônibus.
Os 3 ficaram perto de mim e fiquei preocupada com eles derrubarem catchup em mim e o rapaz da bebida vomitar em mim…

Estava tensa, quando percebo que o rapaz da cerveja não parava de olhar, não sabia se era pra mim ou pros amigos, até que confirmei pra quem era.

– Amigo, isso é geléia? – disse o rapaz da cerveja.
– É catchup… – o cara do catchup estava com cara de “wtf o que esse ta puxando papo”
– AIIIII ATOOOOOOOOOOOORON CATCHUP!!! – cara da cerveja começou a gritar pra todos o quanto amava catchup- Prefiro catchup com macarrão ao invés de macarrão com pomarola! MACARRÃO COM CATCHUP É UM GLAMOOOOOOOOOOOOOOOOUR GASTRONÔMICO!

Eu estava entre os dois, o rapaz da cerveja quase colocando o queixo em meu ombro pra falar para o grupo de amigos a sua paixão catchupal, o pior de tudo era que comecei a ter um ataque de riso, me contorcia pra virar o rosto e rir que nem louca. Só imagino a cara de wtf do pessoal do ônibus…
Os amigos não estavam curtindo muito aquele papo bizarro com o rapaz da cerveja (que parecia e muito estar dando em cima do rapaz do catchup).

– Ai, um dia comprei uma pizza de 30 reais e roubei um MOOOOOOOOOOOOOOOONTE de sachê de catchup e maionese, EU AMO!! RSRSRSR – cara de cerveja tava se empolgando
– Essa é nossa parada fulana? – o rapaz do catchup tava querendo descer logo, mas pela resposta da amiga ainda teriam que esperar umas 3 paradas.

Após essa pergunta o rapaz da cerveja ficou mais no seu canto, quer dizer, isso durou nem 1 minuto, logo ele ficou nas costas da menina e ficava falando:
– Ai que delícia, hmmm amo catchup…hmm delicia…hmm amo…hm quero catchup…hm me dá?

Então o ônibus parou, o rapaz da cerveja deu um berro dizendo que era sua parada e desceu.

Depois disso o grupo de amigos começou a falar comigo e os quatro riram muito, até que eles desceram na próxima parada.

Pelo menos agora já sei o que é um glamour gastronômico…

Arçúrcar do meu coração

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Ninguém nasce sabendo de tudo, isso é um fato.

Conforme vamos crescendo vamos aprendendo, também é fato que muitos acabam estagnando.

Eu sinceramente acho tão gostoso quando aprendo algo, entendo mesmo, sério, me sinto muito bem, mais leve, aliás engraçado isso, mas me sinto mais leve, talvez seja uma parcela da ignorância indo embora.

Mas eu estava aqui lembrando de algumas coisas que eu falava que até hoje alguns adultos lembram “Lembra Livia quando você falava tal coisa, era tão engraçadinha e bonitinha!” sério, eu era muito fofinha quando pequena, além de ser lindinha.

Eu tinha uma enorme mania de colocar r em tudo, falava muito VRIDRO sim, era vidro.

Outra coisa que minhas irmãs sempre me zuavam era sobre o ARÇÚRCAR, elas sempre chegavam e perguntavam na frente de todo mundo:

-Livia, qual o nome daquele pozinho branco na cozinha?
– Qual? O sal?
– Não o outro lá, é doce…
– AHHHH O ARÇÚRCAR???

Ai todos riam da minha cara, e eu ficava com aquela carinha de bobinha, eu morria de vergonha de falar arçúrcar, mas não conseguia falar normalmente.

Outra coisa que eu errava na verdade eu confundia o significado de ambas as palavras, ou seja, as trocava… eu achava que CÍRCULO era onde tinha o palhaço, elefante e tudo mais, já o CIRCO era aquela coisa redonda.

A professora do prézinho sempre me corrigia, mas eu sempre errava isso, até que cresci e aprendi.

Aliás nossa tem um círculo muito massa se apresentando aqui na cidade!!! hihi

Eu lembro até hoje da professora ensinando a gente como se falava a,e,i,o,u e ão.
Estava na sequência, cada vez que chegava mais próximo de mim eu ficava com muito medo, sabia que o meu ão estava saindo estranho…chegou a minha vez.

– Livia, pode falar conforme eu aponto ok?
– Sim, professora! (imagine uma voz de criancinha que sua leitura fica mais fofa)
– a…e…i…o…u……….(pausa enorme, todos se viram para mim) AUOM

Um coro de risos de criancinhas se instalou na sala, eu fiquei com mais vergonha ainda, tentei novamente.
– AUSON
Mais risos, e dessa vez até a professora riu, não aguentei, sai correndo chorando.

Desde criança dramática… mas poxa sacanagem a professora rir, eu tinha o que uns 4/5 anos… maior triste.

Essas são as mais marcantes da minha vida infantil.

Mas um dia, foi uma confusão mental, sei e sabia a diferença de significado de cada palavra…

Chovia fortemente, meu chefe ligou e pediu uma ligação, fiz a ligação retornei, depois conversei com ele, e comentei:
– Nossa tá chovendo tão forte né? Tenho quase certeza de que está chovendo GRANITO!
– Verdade, está forte mesmo.

Desligamos, após um minuto no máximo ele ligou de novo para mim.
-Livia, certeza que tá chovendo granito? Não seria granizo?
– Nossa! Verdade!
E ambos caíram na risada, eu claro fiquei MORRENDO de vergonha dele depois.

Minha primeira vez

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É a primeira vez a gente nunca se esquece.

A primeira vez que quebrou algo, que fez uma tatuagem, a primeira vez que beijou, que começou a namorar, e a maldita da primeira vez que ficou menstruada (ok, isso só mulheres lembram vamos combinar ne).

Eu era nova, não muito, talvez seja a idade média em que meninas se transformam em mocinhas (ai que lindo isso), na verdade eu queria ficar logo já que quase todas as minhas amigas já eram mocinhas menos eu.

Fui ao banheiro, quando começo a fazer xixi olho uma mancha em minha peça íntima..já fiz uma cara de WTF QUE QUE ISSO?!

Me acalmei,então entendi o que acabara de ocorrer, assim procurei por um absorvente no armário, olhei as instruções e coloquei.

Sabia de como funcionava mais ou menos por causa de minhas amigas.

Desci, disse para a minha mãe com a maior vergonha do mundo:
– Virei mocinha.

Ela ficou feliz, aliás, não entendo os pais ficarem felizes por isso, é tipo “a minha filha começará a sangrar todos os meses, terei que gastar em absorventes durante muito tempo, sem contar as reclamações de cólicas, e as malditas TPM’s, aeeee que bom! uhul abra o champanhe vamos comemorar!” sério, WTF?

Pedi, minto, supliquei para que ela não contasse para ninguém, claro ela contou para o meu pai e irmãs, e isso bastava.

Logo após umas horas, recebo uma ligação, era o meu avô…queria falar comigo… para parabenizar pelo acontecimento… SIM MINHA MÃE CONTOU!

Depois dele outros parentes me ligaram, claro agradeci timidamente, fiquei muito envergonhada além de muito brava com a minha mãe.

Pelo menos ganhei uma caixa de bombom do meu pai :)

Globeleza branquela

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ÀS vezes passávamos uns finais de semana numa chácara do amigo de meu pai, esqueci qual cidade era, mas era muito gostoso.

Sempre brincávamos de descer a enorme ladeira que tinha com carrinho de rolimã, ou descíamos os morros com pedaços de papelão.

Lá tinha uma sauna, e lembro do dia em que as crianças, todas as crianças foram na sauna, iríamos ver que aguentaria mais tempo, então meu tio nos trancou na sauna e colocou na temperatura máxima.

Pois é, só conseguimos sair depois de todas as crianças chorarem implorando pois não estávamos aguentando.

Mas não é essa história que contarei, é uma que sinceramente morria de vergonha de contá-la, e mais sinceramente ainda, que eu saiba umas 4 pessoas no máximo sabem tirando minha família.

Os adultos saíram para fazer compras, sério, malucos, várias crianças, a mais velha deveria ter uns 9 anos, eu tinha uns 6.

O tédio nos consumia, acharam guache, viraram para mim e falaram:

– Vamos pintar a Livia como se ela fosse a globeleza?

Eu não queria, mas como sempre topava tudo para ser aceita no grupo, acabei topando.

Estava com calcinha, mas ai antes de me pintar eu pensei melhor, e resolvi que não queria estragar minha calcinha.

Sim caros amigos, virei uma mini globeleza branquela por um dia. Eles passaram guaches coloridas por todo o meu corpo, fiquei toda colorida, via-se apenas uns pedaços branquelos de meu corpo.

Do nada os adultos chegaram, meu pai viu aquela cena e ficou PUTO demais com a gente, minhas irmãs e primos não lembram, mas ele me puxou maior bravo para tomar banho, me deu uns tapas de chinelo, ai gente era normal naquela época, fiquei de castigo, e o resto daquela, minhas irmãs que deram a ideia, ficaram la de boa enquanto eu chorava.

Agora eu dou muita risada, mas até o começo desse ano eu MORRIA de vergonha, sério.

É galera, eu era a cobaia e só me ferrava.

Miojo do pai

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A minha avó fazia o melhor macarrão do mundo, ela não colocava nada demais, mas sempre fazia uns 8 miojos numa panela de uma vez, eu acho que o miojo ficava maravilhoso por ela ter sangue italiano e por fazer com amor, já que ela fazia miojo para os netinhos queridos dela.

Um dia queria miojo, meu primo e irmã não queriam, não quis importunar a minha avó para fazer apenas um, então perguntei para o meu pai se ele faria para mim.

Eu tenho certeza que devem estar pensando “Nossa Livia mas é tão simples fazer miojo! Você é tão lerda que não consegue nem fazer um simples miojo???” Gente eu tinha uns 7 anos, SETE ANOS, mesmo que soubesse meus pais não deixavam em mexer com fogo.

Meu pai começou a fazer, e eu fiquei ao lado dele…

1º àgua na panela para ferver – ok
2º Colocar miojo na panela – ok
3º Misturar tempero ao colocar miojo na panela -okOPA CALMA AI!

“Pai, você esta fazendo errado, a vovó coloca o tempero depois que o miojo ta pronto e o fogo desligado.Assim vai dar errado!”

Meu pai tentava dizer que daria na mesma, e eu la, brigando com ele, sério até chorei, caraca meu pai ja tava fazendo o miojo que queria e ainda reclamava, eu pequena era linda, mas muito chiliquenta, dramática e sempre ficava emburrada, agora sou apenas dramática.

Quando meu pai terminou, eu comi com cara de bunda, mas sério QUE DELÍCIA MEU DEUS DO CÉU PAI TE AMO! Ficou melhor que o da minha avó, a partir desse dia eu só fiz miojo desse modo.

Sim, grandes merda de texto mas tava lembrando desse dia e quis escrever, vai que um dia perco a memória, será algo muito relevante na minha vida.

Muitas pessoas fazem miojo com vários ingredientes, eu nunca coloquei nada,minto, já coloquei queijo (nossa que radical), então perguntei se faziam de modo diferente o miojo, e essas foram as respostas (além dos engraçadinhos que só tiraram com a minha cara):

Eu sinceramente, prefiro o modo normal, miojo e o temperinho que vem junto, mas todos me disseram que fica uma MARAVILHA, um que experimentarei é o da @fermosca, miojo com batata palha, e adicionaria requeijão.
Obs.: Cada tipo de miojo tem o link para o “criador’ da receita miojal.

Vergonha na frente do amado

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A minha infância foi cheia de amores, eu amava todo mundo, cada dia estava apaixonada por um guri diferente.

Mas sempre me apaixonava pelo vizinho da casa dos meus avós em Itanhaém, na verdade pelos dois vizinhos, mas um sempre me zuava era mais velho, então depois desisti.

O outro vizinho tinha a idade da minha irmã mais velha, e sempre brincava com a gente.

Uma noite, após brincarmos, comermos bolinhos de chuva da minha vó, uma irmã disse:

– Vou contar histórias de terror, quem não quiser ouvir vai lá pra sala.

Eu e meu primo ficamos com medo, mas como queria dar uma de “eu sou corajosa” só para impressionar o vizinho acabei engolindo seco o medo e fui ouvir as tais histórias.

Minha irmã começou, mas era brincadeira dela, ela na verdade começou um combo de piadas, então todo mundo contava, menos eu… sinceramente sempre fui uma negação para piadas.

Eu comecei a rir muito, então comecei a sentir uma vontade ENORME de fazer xixi.

Mas eu sairia de la? Nem ferrando! 1º não perderia as piadas que estavam muito engraçadas 2º acho que dava pra segurar mais 3º meu primo acharia que não aguentei as “histórias de terror”.

Fiquei firme lá… quer dizer, tentei… minha irmã contou uma piada muito engraçada (infelizmente não lembro dela) e o vizinho estava rindo muito, a risada dele era MUITO engraçada, comecei a rir mais… ria e segurava o xixi, ria e segurava… até que ri…e OPA fiz xixi.

Estávamos na grama, estava meio escuro, mas minha irmã viu minha calça molhada, e claro, disse em alto e bom tom:

– A LIVIA FEZ XIXI! HAHAHAAHAHAHAHAHAHHAHAHAH

Corri para o banheiro, me limpei, troquei de roupa e voltei para lá, ainda estavam rindo, pensei que fosse uma piada, na verdade era sobre mim e meu xixi.

Acho que essa foi uma das únicas vezes que não fiquei emburrada com alguma zuação das minhas irmãs só por causa do vizinho.

É essa foi a vez que fiz xixi na frente de alguém que eu gostava.

E ele nem gostava de mim.

Sou macho

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Não sei se já viram barata do mato, mas eu sempre via, principalmente em Itanhaém, eu sinceramente ficava com nojo, eu e minhas irmãs tentávamos matar o maior número de baratas do mato, até que:

– O que elas fizeram para vocês? Elas são seres vivos, deixem elas em paz! – meu vô disse.

Sinceramente não foram exatamente essas palavras, mas lembro que foi algo do tipo, o que importa é que ele deu bronca na gente para não matarmos as baratas, e né, a gente tentava, sem contar que elas eram, digamos limpas, já que são do mato, e não que nem as da cidade e tudo mais.

Um dia na minha rua que era rua sem saída, estava eu e meu namorado da época,era de noite e estávamos sentados em um pequeno jardim conversando.

Uma barata do mato estava voando perto da gente, e esse meu ex tinha grande pavor de insetos.

Além de rir muito da cara dele, eu disse que não deveríamos matá-la e tudo mais (coisa que aprendi com meu vô pelo que podem perceber).

Eis que sinto algo em minha perna.

– Acho que a barata esta na minha calça – disse tranquila.

Meu namorado já se levantou e foi pra longe de mim com uma cara de pavor.

O que eu faço?

Peguei uma mão e segurei a calça para ela não subir, com a outra levantei a calça, tirei a barata com a mão, olhei para o meu namorado e sorri.

Ele ficou com uma cara de WTF LIVIA VOCÊ É MINHA HEROÍNA.

Foi o dia que mais fui macho na minha vida.